sábado, 23 de agosto de 2014

Gliding Barnacles

Praias e antiga garagem Auto Peninsular recebem festival «Gliding Barnacles»

De 28 a 31 de agosto a antiga garagem Auto Peninsular, no Bairro Novo, será palco de algumas das actividades do «Gliding Barnacles», um evento de entrada livre que se desenvolve nalgumas praias do concelho da Figueira da Foz (durante as manhãs e até às 17h00). Após as sessões de praia e até às 24h00 o festival muda-se para a garagem Auto Peninsular, onde acontecem actividades diversas ligadas à música, cinema, design e fotografia, entre outras.

O «Gliding Barnacles» prevê uma vertente de competição aberta a longboarders convidados oriundos de Portugal, Espanha, França, Grã-Bretanha e Itália.
Com um prize money de 3.000 euros (pagos pela Câmara Municipal da Figueira da Foz), a competição funciona no modelo «cash-for-tricks»: as exibições dos surfistas serão filmadas e depois exibidas no recinto da Auto-Peninsular e votadas pelos presentes.
A edição zero do festival – promovido pela Associação de Desenvolvimento Mais Surf e Gliding Barnacles Gentleman Club – pretende, segundo anunciou hoje a organização, “promover a Figueira da Foz como destino turístico do surf mundial”, concretamente o longboard clássico, “fazendo interagir a modalidade com a cultura artística, artes e ofícios que lhes estão associadas”.

No recinto da garagem o programa inclui música ao vivo (bandas e DJ’s), projecção de filmes de surf, construção de pranchas, workshop de fotografia, espaço de serigrafia e artes plásticas, um mercado de artigos vintage e uma cadeira de barbeiro para quem quiser fazer barba ou cabelo.
Quanto a uma eventual concorrência aos empresários do sector dos bares e similares, a organização garante que não se coloca a ideia, uma vez que o espaço físico da garagem encerra portas à meia noite, convidando os cerca de 1.500 a 2.000 visitantes diários esperados a frequentar os estabelecimentos desta zona no centro da cidade.

Ana Carvalho mostrou-se “muito satisfeita” com a escolha do local desejando que projetos futuros possam aparecer a fim de requalificar/recuperar a antiga garagem Auto Peninsular, um imóvel de “interesse arquitectónico”.
O surf, bem como os desportos náuticos, fazem parte do plano de desenvolvimento estratégico delineado pela autarquia. “Temos em curso ou previstas várias acções para qualificar, ampliar ou recuperar estruturas náuticas com o objectivo de cativar mais praticantes”, disse a vereadora dando como exemplo a intenção de implementar um centro de alto rendimento ou surf houses.
Potenciar a marca da “onda mais comprida da Europa” faz ainda parte dos planos pensados pela autarquia figueirense, bem como levar o universo dos desportos náuticos aos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico (desporto escolar).

Gliding Barnacles: trata-se de uma analogia com as lapas que passam a vida agarradas aos cascos dos navios. Representa a união física e mental do surfista com a sua prancha.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

bypass cá e lá por Gonçalo Cadilhe

" Kirra é uma das melhores ondas do mundo. Por causa da construção de um molhe na barra do rio Tweed, a montante de Kirra, o banco de areia onde se forma a onda desapareceu durante uns anos. A deriva litoral foi interrompida, a onda desapareceu. A semelhança com o Cabedelo, a mãe de todas ondas da Figueira da Foz, é impressionante. Na minha cidade, a construção dos molhes da foz do Mondego criou desequilíbrios titânicos no litoral: a praia da Figueira, a norte do rio, acumulou areia até se tornar um deserto; as povoações a sul do rio, até à Marinha Grande, deixaram de receber areia e todos os invernos são inundadadas pelo mar. A onda do Cabedelo, tal como Kirra, também desapareceu.
A semelhança também funciona por antíteses: na Austrália estes problemas resolvem-se, em Portugal não. A instalação de um bypass através do rio Tweed repôs o fluxo das areias e Kirra recuperou a velha glória; entretanto, a mesma solução de um bypass na Figueira da Foz vai contra os lobbies instalados do cimento, das obras públicas e das dragagens de barras. A onda do Cabedelo continua morta, a erosão a sul do Mondego continua a destruir o litoral, os lobbies continuam a sua actividade ciclópica e ineficaz: mais uma dragagem à barra, mais um molhe pela praia fora, mais uma obra pública a sair dos dinheiros comunitários e a entrar nos bolsos do costume, mais um prego no caixão da paisagem natural da costa portuguesa."

CADILHE Gonçalo, Passagem para o horizonte, Clube do Autor, 2014, pág. 234 e 235.
Infografia por Ana Kaiseler.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

think global, act local

A Ordem dos Engenheiros tem vindo a público manifestar a sua preocupação com o Litoral Português na imprensa generalista e agora com a revista da Ordem, que faz deste o seu tema de capa. Aqui, um conjunto notável de especialistas nacionais, do mundo universitário e empresarial, discorrem sobre o flagelo da erosão e da bondade das suas soluções para a resolução deste problema. Ao longo dos vários contributos o déficit sedimentar parece ocupar o primeiro lugar no diagnóstico e, ainda que identificados por um dos autores os depósitos sedimentares disponíveis na Figueira da Foz e de Aveiro e por vários o destaque dos benefícios da alimentação artificial, não encontramos qualquer referência directa ao sistema de transferência por bypass - referente comum no contexto global nestas temáticas. Aliás, contrastam as raras referências ao contexto global com a quantidade de elogios à engenharia costeira portuguesa, confundindo-se por vezes se estamos no campo do contributo que pretende informar ou no do panfleto que defende interesses corporativos. Há contributos centrados na oportunidade da mudança de paradigma, mas também oportunismo nos recados ao Grupo de Trabalho do Litoral (GTL) recentemente designado pelo Secretário de Estado do Ambiente para rever a estratégia de gestão das zonas costeiras. Teremos que aguardar pelo resultado da reflexão do GTL para saber se o país vai poder contar com as técnicas conhecidas ou se vai continuar refém dos técnicos conhecidos, ainda que a qualidade e abrangência disciplinar que reconhecemos no grupo liderado pelo professor Filipe Duarte Santos nos deixe optimistas enquanto aguardamos por melhores dias.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

sim Sr. Professor


















[...] No passado descurámos completamente as questões de ordenamento. Construímos em zonas dinâmicas e de risco, expusemos novas edificações a riscos que já seriam expectáveis. Por outro lado, a nível portuário – e os portos são vitais em termos económicos para o País –, tivemos sempre uma visão não integrada das infraestruturas. Foram aumentados e construídos quebra-mares, e aprofundados canais de navegação, sempre na perspetiva da melhoria das condições de segurança e de operacionalidade dos portos, mas ignorando, esquecendo ou fechando os olhos àquilo que seriam as consequências dessas infraestruturas a sotamar [...] Essa é uma das principais causas, pois as situações mais críticas estão quase sempre a sul dos portos que têm grandes quebramares e grandes canais de navegação [...] Existiram intervenções recentes em portos em que se dizia que os impactos a sotamar seriam apenas durante um, dois ou três anos e depois seria retomado um equilíbrio dinâmico natural.

Se isso não tinha acontecido em relação a intervenções feitas há 15 ou 20 anos, por que é que agora, numa intervenção ainda mais impactante, deixaria de ter impactos negativos ao fim de dois ou três anos? 

Alertei sistematicamente para essas situações e isso foi sistematicamente ignorado [...] Num passado recente, diria até aos anos oitenta, a gestão da zona costeira estava entregue à Direção-geral de Portos, e a sua principal competência tinha a ver com os portos ao longo da costa portuguesa. Estudos e planos muito interessantes que foram realizados nessa altura, do ponto de vista do diagnóstico dos problemas de erosão, ainda hoje são relevantes, mas quanto às propostas de intervenção ignoravam-se completamente as questões de ordenamento do território e as soluções passavam por construir esporões de norte a sul do País [...] E sempre que se diz que o problema está “definitivamente resolvido”, passados alguns anos, afinal, ou porque o mar colocou areias no canal ou porque o porto precisa de ser expandido, ou porque é preciso aumentar as condições de navegabilidade e acesso às embarcações, aumentam-se os quebramares e aprofundam-se canais, como ocorreu recentemente. As consequências na instabilidade a sul da barra são mais visíveis e têm mais impacto nos últimos 40 ou 50 anos. E desde há mais de 30 que andamos a dizer que os problemas a sul de Aveiro estão a agravar-se e vão continuar a agravar-se [...] Foi um erro não se terem assumido e mitigado os impactos negativos a sul de Aveiro. Nem todos os investigadores e técnicos tiveram coragem para denunciar a situação. Fi-lo muitas vezes, e ao longo de muitos anos, em relação à costa a sul de Aveiro e a sul da Figueira da Foz [...] 

[...] Os esporões não funcionam se não houver trânsito de areias, as fundações dos paredões começam a ser infraescavadas porque não estão assentes em rocha e entram em processo de instabilidade [...] 

sim Sr. Ministro
















[...] vamos também pensar em soluções inovadoras que resultem de uma nova avaliação de riscos e de um maior conhecimento sobre sistemas complexos como a costa e o mar. E foi essa a razão pela qual preferimos, antes de avançar imediatamente para a revisão dos POOC, pedir ao Professor Filipe Duarte Santos para, numa comissão multidisciplinar, desenvolver uma revisão da Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona Costeira (ENGIZC), de forma a que, a partir dessa Estratégia, possamos iniciar a revisão dos POOC e, a partir desses Planos, definir as novas ações já com novo financiamento europeu. Estamos num momento de charneira [...] 

[...] É necessário, sobre o litoral, ter uma abertura de espírito que, de forma prosaica, se poderá traduzir na capacidade de “pensar fora da caixa”. Isto é, nós estamos habituados a concretizar uma série de ações que repetidamente passam por alimentação artificial de praias, proteções dunares, proteções aderentes, todo um conjunto de ações que, em algumas situações, se verificou ineficiente. E eu prefiro assumir, de forma frontal, que a repetição de tipologias de intervenção ao longo destas décadas não atingiu os resultados pretendidos. Logo, é necessário pensar, com todas as competências que existem, e tirando partido de algumas experiências internacionais, em intervenções que protejam a costa mas que protejam também os nossos recursos [...] 

[...] O controlo, a mitigação, a adaptação, sem dúvida, mas temos de ter também a humildade de assumir que não é possível artificializar toda a costa. O que estou a dizer tem alguma controvérsia, mas o tema da restrição financeira é relevante. O que temos pela frente nas próximas duas décadas, no que respeita à nossa orla costeira, é tão significativo que não nos podemos dar ao luxo de gastar, por rotina, em tipologias que, por rotina, vamos definindo como as certas [...] 

sábado, 9 de agosto de 2014

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

a praia


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

as praias da Figueira são notícia


A praia do Cabedelo é notícia pelo surf, a de Quiaios pelas dunas e a da Claridade pelo tomate.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

tomate