quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

gregos e troianos


Em 2010 no seminário organizado pelo SOS Cabedelo que marcou em Portugal o início do debate sobre o papel do surf para além da dimensão desportiva, Pedro Adão e Silva sublinhou a importância do momento mas não deixou de notar que a esmagadora maioria dos oradores eram do mundo do surf... Portanto, advogados em causa própria. Não será esse seguramente o caso do Dr. Joaquim Gil e de tantos outros que hoje reiteradamente trazem o surf à praça pública, enriquecendo o debate que será tanto mais importante quanto mais plural, para que seja verdadeiramente útil na (re)construção da cidade. O que não deixa de ser curioso é o facto do jornal As Beiras, poucos dias após o artigo de opinião do Dr. Joaquim Gil sobre o projecto CIDADESURF, noticiar o afastamento de três associações ligadas aos desportos de mar. Percebe-se claramente que nada disto tem que ver com qualquer tipo de questão pessoal entre as partes referidas. Não temos qualquer dúvida de que se trata de uma bizarra coincidência, ainda que porventura ilustrativa de uma certa tendência destes desportos para a auto-exclusão. Este não é um tema novo mas antes o vício recorrente alimentado pelas disputas individuais que, por serem tão próprias destas modalidades, são encaradas num quadro de uma normalidade aceitável. O que se lamenta é a forma inócua que resulta da exploração do espaço mediático conquistado com outro propósito, não se vislumbrando qual o contributo que estas associações querem trazer ao processo. 
Uma coisa é certa: o caminho é hoje mais claro do que alguma vez poderia ter sido e continuará a ser seguido com verdade, sustentado na vontade de todos os que nele se vêem representados e nunca apoiado em qualquer conluio associativo, ou até mesmo num legítimo sistema partidário. Porque foi desta forma que nos comprometemos com este processo e com o conjunto de cidadãos que muito nos honram com o seu apoio. Continuaremos por este caminho centrados na promoção do debate plural e esclarecedor, aceitando com toda a certeza que não iremos agradar a gregos e a troianos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

a sustentabilidade, as galinhas e a broa

Entrega do prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte ao arquiteto Miguel Figueira no dia 18 Fevereiro, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.

AICA/SEC/Millennium BCP 2011

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

os alemães, o americano, o inglês e os portugueses

Desde 1945 persiste a dúvida sobre as bombas da Nazaré. Nunca se esclareceu se o submarino alemão U-963 que foi afundado junto ao canhão pela própria tripulação estava ou não armado. Uma coisa parece certa: o conhecimento dos alemães daquele lugar, onde a curta distância de terra se encontra um vale submarino tão profundo, ideal para a tripulação ficar a salvo e o segredo ficar guardado. Há muito que as gentes da Nazaré sabem da existência daquele lugar, no mundo do surf também não é propriamente uma novidade, o que é curioso é que tenha sido um americano a mostrar ao mundo que afinal há mesmo bombas na Nazaré. Não que tenha sido tarefa fácil, nem foi conseguido do dia para a noite, obrigou a trabalho, planeamento, organização e investimento. Desconheço se o investimento chegou antes ou depois do americano, mas não tenho qualquer dúvida que sem ele não tínhamos hoje a Nazaré na capa do The Times. Sem o investimento ninguém sabia das bombas na Nazaré. De entre as longas direitas da baía de Buarcos, uma das mais apreciadas é conhecida como a Mina. O nome tem naturalmente que ver com a proximidade com as minas do Cabo Mondego, cuja construção resultou do investimento para a exploração do carvão mineral até ao séc. XX, depois de esgotada a camada superficial que terá sido entregue a um Inglês em meados do séc. XVIII. O que poucos sabem é que na mina também há ouro, sabemo-lo nós os surfistas, locais e estrangeiros, que dele temos tido o privilégio de disfrutar. Um filão de qualidade reconhecida internacionalmente, que será um recurso inesgotável se o soubermos preservar. Também sabemos o que falta, sabemos que falta hoje o que sempre faltou: o investimento e se calhar um australiano para variar, já que em nós, os portugueses, parece que ninguém vai querer investir. 

global surf cities conference 2013

Na sequência do convite que nos foi endereçado para apresentar uma comunicação do projecto CIDADESURF na Global Conference Surf Cities Conference, na Gold Coast, Australia, de 28 de Fevereiro a 1 de Março de 2013, solicitámos apoio com a deslocação e fees de inscrição à Camara Municipal da Figueira da Foz e à Região de Turismo do Centro, na convicção que o aprofundamento deste relacionamento internacional é do interesse da cidade e da região. Eurico Gonçalves e Miguel Figueira são, até ao momento, os únicos representantes nacionais confirmados para este prestigiante evento internacional com forte envolvimento institucional e da indústria do surf, que antecede a primeira prova do ano do circuito mundial da modalidade.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Peniche vs Leixões e o futuro da Figueira

A aposta do Plano Nacional Estratégico de Turismo (PENT) nos cruzeiros, consagrada no produto turismo náutico, rendeu à região norte cinco milhões de euros. A revisão em curso do PENT introduz o surf neste produto e, portanto, vai juntar os ganhos do Rip Curl Pro de Peniche - a prova do circuito mundial de surf que rendeu quase oito milhões de euros. Em Leixões durante todo o ano entraram 76 mil visitantes pelo porto agora preparado para receber os cruzeiros; em Peniche no espaço de poucos dias entraram pela praia de supertubos 130 mil. Diferença maior encontramos nos custos de investimento, onde os 21 milhões gastos em Leixões permitiriam garantir o financiamento total da prova de Peniche por mais de uma década, prova que em 2012 custou 1,6 milhões de euros. Mas mesmo que no tempo os custos fossem equivalentes Peniche manteria a liderança, com o dobro de receita diária por cada estrangeiro em solo nacional. Na Figueira da Foz, porque não há dinheiro e enquanto não chegam os cruzeiros, talvez faça sentido investir no surf.